3.10.11

ENSAIO SOBRE O ESQUECIMENTO

O tempo tudo apaga e a rasura
desaba repentina sobre os olhos:
os dedos da memória sem espessura
começam a safar como se escolhos

os poemas que atirei pela janela
numa garrafa cheia de vazio
(não sei se para os bolsos de uma estrela
se para o leito seco de algum rio)

Eis como sinto a sílabas que outrora
circulavam no sangue das palavras,
a súbitas perdidas, pois agora
almejam ser apenas anuladas:

esquecidas que foram para alguém
o corpo dos poemas de ninguém

Domingos da Mota

Bolsa de Valores e Outros Poemas, Temas Originais, Lda., Coimbra, 2010

3 comentários:

  1. Eu gosto muito de como articulas verbos e ideias. É bom que ainda existam (e insistam) poetas feito o sr. DM.

    Abraço!

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  2. Obs.: o link em Ao Rés do Nada não nos traz aqui.
    Abraço!

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  3. Caro Henrique Pimenta,

    Obrigado pela visita, pelo comentário e pela observação (que já emendei).

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