27.11.11

O GRITO - 1893 - EDVARD MUNCH

          Óleo, têmpera e pastel em cartão,
                                              91 x 73,5 cm


Entre o ser e o nada, não resisto
ao peso imponderável da beleza:
não do sol a brilhar como previsto
e a abrasar duramente a natureza,

nem da lua crescente como a noite,
lua cheia de insónias indolores,
mas da terra varada pelo açoite
dos olhos repletos de pavores

Entre o ser e o nada, essa algidez
do azul que atravessa a moldura
e os corpos distorcidos e a nudez
das cores que alucinam a pintura,

como se dos confins do infinito
fossem línguas de fogo, o medo, o grito

Domingos da Mota

de Bolsa de Valores e Outros Poemas, Temas Originais, Lda., Coimbra, 2010

2 comentários:

  1. Curiosamente sempre tive pavor do grito. Não sei porquê... como não sei muitas coisas. Quiz experimentar o grito na poesia, mas também não resultou. O poema é lindo, mesmo com o grito.

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  2. Paula Amaro,

    Obrigado pela visita e pelo comentário.

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