5.12.11

ELEGIA PARA O GATO MORTO

Com os olhos pregados no infinito,
no mais fundo de si, já revirados
e os bigodes suspensos pelo grito
que alvoroça as pombas nos telhados

e o céu da boca, se aflito,
mesmo à beira do fim, agoniado,
e o pêlo sedoso tão esquisito,
de súbito a ficar amarrotado,

na procura apressada de outra vida
renascida das sete que viveu,
que não vê, não encontra, pois perdida
como alma penada lá no céu

dos gatos: foi assim, quase descrente,
que vi o gato morto, de repente.

Domingos da Mota

2 comentários:

  1. Já lera la no Face e relio meu amigo e volto a dizer que gosto muito de te ler.

    Beijos, bom dia.

    Carmen

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  2. Carmen Silvia Presotto,

    Agradeço e retribuo.

    Bom dia.

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