18.11.12

NENHUMA MÚSICA

«O gato olha-me
ou o meu olhar olhando-o?
E eu o que vejo senão
a mesma Única solidão?

Chamo-o pelo nome,
pela oposição.
Em vão:
sou eu quem responde.

Virou-se e saltou
para o parapeito
real e perfeito,
sem nome e sem corpo.
(Também eu estou,
como ele, morto).»

Manuel António Pina

POESIA REUNIDA (1974-2001), Assírio & Alvim, Lisboa, Novembro 2001

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