25.1.13

Errata

Onde se lê isto, deve ler-se aquilo.
Onde se lê assim, deve ler-se assado.
Onde se lê estranho, deve ler-se estilo
(Um modo de ler mais aproximado).

Onde se lê escassez, deve ler-se usura.
Onde se lê gordura, deve ler-se a pele
E o osso, a brusca secura
Que enche de curvas a folha de Excel.

Onde se lê meio, deve ler-se margem.
Onde se lê carência, deve ler-se fome.
Onde se lê tempo, deve ler-se voragem.
Onde se lê número, deve ler-se nome.

Onde se lê ruína, deve ler-se fim.
Onde se treslê, não se leia assim.

Domingos da Mota

(a partir da leitura do poema Errata, de Manuel de Freitas, no livro A ÚLTIMA PORTA, selecção e posfácio de José Miguel Silva, Assírio & Alvim, Março 2010).

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