8.5.13

Cismas

Não quero cisma grisalho,
diz o ministro que não
vai seguir por esse atalho
onde passa a procissão.

Mas o ministro, reparo,
leva o turíbulo na mão,
segue debaixo do pálio
e aperta o passo. Então,

quem será que neste caldo
de cultura de opressão
contra os velhos busca um saldo
positivo de antemão?

Quem será que marca o risco,
a fronteira inexcedível,
a margem para o confisco,
a linha intransponível?

Seremos nós, serão eles,
serão os tais mandatários
ou os mandantes daqueles
que não passam de sicários?

Não sei quem é, quem não é.
Sei apenas que a avidez
reforça o finca-pé
que nos pisará de vez,

e que depois de esmagados,
maltratados, combalidos,
seremos armazenados,
e de seguida, morridos.

Domingos da Mota

[inédito]

2 comentários:

  1. Muito bom!
    Saliento o Tema (já que andamos todos cismados) a rima, a sonoridade e a pertinência.
    Parabéns!

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  2. Cara Conceição,

    Grato pela visita e pela apreciação do poema.

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