6.1.14

Para sempre

Cavalgamos a luz... / e eis-nos ante
o súbito lugar da eternidade:
o nó cego do tempo que nos há-de
cumular de silêncio: doravante,

rente ao chão do futuro deslizante,
confina-se o devir que nos invade:
irrompe, surde desde a intimidade
da terra com a terra: culminante

solapa-se o sentido dos sentidos:
soterrados, dispersos, dissolvidos,
talvez foz, para sempre, assoreada;

talvez chuva de cinzas e de vento:
no baldio mais chão do esquecimento,
talvez húmus apenas: pó / ... e nada.

Domingos da Mota

[revisto]

4 comentários:

  1. Vou passando para ler. Hoje só para desejar um excelente ano.

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    1. Agradeço a visita, e retribuo os votos de um Bom Ano.

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  2. pó volta ao pó
    desafia a eternidade
    pó de ser tempo
    pó sempre é tudo a vida e nada

    Belíssimo soneto, poeta! Abraço.

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    1. Manuel Pintor,

      grato pela leitura e pela apreciação.

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