9.2.14

E dás sobre o azul outra demão

Pintas de azul o sangue que circula
vermelho como o sol no coração;
pintas de azul o verde que acidula
e dás sobre o azul outra demão;

pintas de azul o tom da tua voz,
e sempre que te ouço divagar,
apetece pintar os que estão sós
com o vermelho vivo a rutilar;

pintas de azul segundos e minutos,
as horas e os dias: uma cor;
dos grandes aos miúdos, diminutos,

pintas de anil o júbilo e a dor;
pintas de azul as aves e os frutos;
pintas de azul o viço e o vigor.

Domingos da Mota

(inédito,
a partir da leitura do SONETO DO DESMANTELO AZUL, de Carlos Pena Filho)

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