27.4.14

da vida humana

6

para quê dar-te o sopro inútil,
bafo sem espelho,
em que os mortos se convertem,
a máscara mais ou menos hábil

no travesti da escrita?
já passamos a vida
em lugares paralelos, para quê ir buscar-te
a dimensão da alma

que de ti ignoramos? não é preciso
que essa pátria se cumpra, ou nenhum outro
som musical, slogan, cartaz.
morreste. és uma coisa.

nenhuma loquaz intervenção
ou invenção te ressuscita.

Vasco Graça Moura

Os Rostos Comunicantes, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1984

Sem comentários:

Enviar um comentário