5.5.14

Limpíssima saída

    nem há lixa ou aguarrás
     que apague as marcas que traz.

     Vasco Graça Moura


Quando se esfola, se mata,
se rouba, se atormenta,
se coage e arrebata,
se difunde e aguenta

uma prosa que retrata
a frieza de quem tenta,
com outro nó na gravata,
iludir quem se alimenta

do propalado sucesso
de que depois da medida
que nos virou do avesso,
é limpíssima a saída,

entre as vítimas do tema,
deixo as parcas no poema.

Domingos da Mota

[inédito]

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