30.9.14

[Se o amor for a sombra do que dizes]

Se o amor for a sombra do que dizes,
pode ter em si mesmo o seu contrário:
do amor que se despe, sem matizes,
ao amor puramente imaginário;

do amor que desvela as cicatrizes,

quando apenas se troca, cego e vário,
ao amor que resiste e vence as crises,
apesar do pendor suicidário;

do amor que se esvai, perdidamente,

esse amor que sofreia, mal se ganha
a disputa feroz com outros mais,

ao amor que definha, simplesmente:

e sentir como dói, como arrepanha
o amor que se perde, por demais.

Domingos da Mota


[revisto]

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