1.12.14

Soneto transversal

São raros os poetas, meu amor,
por muito que se exaltem os que ousam
o seu lugar ao sol enganador,
por sobre a multidão dos que repousam
na vala transversal do esquecimento
que se perde debaixo das ruínas,
totalmente arrasada pelo tempo,
de quem não resta um verso nas esquinas
agudas do presente, onde a poesia
tuteia de mãos dadas com bem poucos,
malgrado os que a perseguem, dia a dia,
de nariz convencido, que os loucos
sensatamente apontam como a fonte
da cega presunção que anda a monte.

Domingos da Mota

[revisto]

2 comentários:

  1. ...a cega presunção que anda a monte!
    Só possível por um verdadeiro poeta Bem-haja.

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  2. David Barreira,

    Digamos que também tomo a minha dose de água benta...

    Obrigado.

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