10.2.15

Soneto

Um verso que desperta, inopinado,
dá passagem a outro, clandestino,
em busca dum terceiro, mais ousado,
ou dum quarto com ar de peregrino,

e seguem o percurso rabiscado,
por muito que o sexto, valdevinos,
reaja contra o sétimo, excitado,
e levante uns bramidos sibilinos.

Apesar da disputa, lá se vão,
até que aparece um que sublinha
o travão implacável que o terceto

impõe ao que acelera em contramão:
um freio que provoca e desalinha
o derradeiro verso do soneto.

Domingos da Mota

[revisto]

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