4.3.15

Cantiga de desamigo

Abalou, foi-se embora, escafedeu-se
sem dizer porque sim ou porque não,
e o espaço dividido debateu-se
a tentar perceber por que razão.
Um amigo que assim se desamiga
sem expor um motivo, um senão:
o súbito catarro da formiga,
ou o voo secante dum zangão?
E zarpa de fininho sem tugir
nem mugir a menor objecção,
como se ao chegar esteja a partir
em busca de si mesmo, ou talvez não?
Um amigo que assim se desamiga
nem merece o remoque da cantiga.

Domingos da Mota

[inédito]

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