21.3.15

Elegia para um não-poema

Não acodem as palavras
tão afastadas de mim
nem sequer as mais caladas
nem uma só e assim
vou acabar o poema
antes de o ter começado,
ou melhor, o não-poema
ficará silenciado
pois não surdiu uma letra
nem uma sílaba só,
uma palavra discreta,
mas apenas este nó
na garganta que sufoca
e lacera o céu-da-boca.

Domingos da Mota

[revisto]

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