13.6.15

Requiem

À porta do verão,
vão-se os amigos nesse voo

parado, radical, no coração
da terra, desmedidos ante

um mar de gente crucial;
à porta do verão - que sega-vidas,

que gélida fogueira, que razia;
e como dói o frio que incendeia

as estrelas cadentes
da alegria; à porta do verão -

e os amigos rigorosos,
obstinados, seminais, atravessam

o sentido dos sentidos
e a poeira dos pontos cardeais.

Domingos da Mota

[revisto]

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