18.7.15

Poema

    de faca nos dentes

     António José Forte


Um poema de faca
afiada nos dentes
que rasgue as palavras
obesas e ocas, assaz
numerosas, fingidas,
mordentes que enchem
as bocas.

Um poema-revólver
com balas reais,
não de pólvora seca,
sequer de borracha,
que aponte e dispare
visões radicais,
pergunto: que achas?

Um poema-navalha
de ponta e mola
metido no bolso,
mas pronto a usar
se alguém te sufoca,
te esmaga, te esfola,
te rouba o ar.

Domingos da Mota

[revisto]

2 comentários:

  1. Um poema sufoco...
    É por vezes o meu estado de espirito.
    Um abraço

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    1. Nada melhor, para tal sufoco, que o poema de "Fôlego", de João Pedro Mésseder, que pode ler neste blogue.
      Obrigado.
      Abraço.

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