24.1.16

Desafectos

Entra e sai, 
sai de mansinho,
devagar, 
devagarinho,
o amigo
que se amiga
e desamiga
cedinho.

Sempre em busca
dos afectos,
dos abraços
e dos beijos
ou de harpejos
mais selectos,
novos traços
e bosquejos;

modulando
os achaques,
as feridas
e os baques,
os lamentos
e os ais,
com insídias
e dislates

e remoques
guturais,
o amigo
desanima
quando não
encontra disso
e amua
e desatina:

põe-se a andar,
leva sumiço.

Domingos da Mota

[inédito]

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