7.1.16

Soneto da memória

Cheguei depressa aqui: o tempo passa
veloz como um pardal, de pulo em pulo,
por vezes distraído da ameaça
do gato que se esconde atrás do muro;

o tempo que não pára, e continua
(se alguém tropeça e cai, o tempo segue), 
e vai e acelera e acentua
a espiral impassível que persegue.

Cheguei depressa aqui: entre o presente
e o passado que trago sobre os ombros,
recordo os que partiram para sempre,
alguns quase esquecidos nos escombros

da memória que resta e, deste jeito,
reavivo o pretérito imperfeito.

Domingos da Mota

[revisto]

3 comentários:

  1. O tempo não pára. Nem a memória esquece.

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    1. Infelizmente, a memória já esquece mais do que devia.

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  2. e as vezes por mais que atentos estejam os pardais,o gato finda por pegar algum desprevenido.Falar do tempo me faz uma certa confusão pela velocidade e ao mesmo tempo por ter a impressão que somos estátuas, nem sei como explicar,sei apenas que dele o tempo a memória é logo atacada e fatiada,lançada em mil pedaços se sabe lá para que recanto dele o tempo e do cérebro. Agradeço a leitura.

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