16.5.16

Buraco negro

Jaz o poeta no caixão vazio
(foi morto por Caim sem ser Abel)
e surge à sua volta um corrupio
de vultos a carpir num aranzel
e a louvar os seus versos que não leram
e até os poemas que não fez
a ponto de alguns que o tresleram
celebrarem (entre aspas) desta vez
Jaz o poeta no buraco negro
da memória varrida pelo vento
e caído no fundo desse pego
no meio do lençol do esquecimento
o que sobra por fim desata o nó
da espessura do tempo: e fica em pó

Domingos da Mota

[revisto]

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