14.5.16

Nocturno

Acendeste o silêncio,
esse silêncio feito
de terra e cal, de erva

chã: o fogo raso,
rente, radical, afoga,
cega a estrela

da manhã. Silêncio
que transmuda: mineral?,
sutura vegetal?, talvez

romã. Ou a música
silente, sideral, à beira
da fonte aldebarã.

Domingos da Mota

(publicado, com variações, na revista Palavra em Mutação, N.º 2zero, Novembro 2002 / Abril 2003)

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