23.6.16

Branco no branco

    Narciso e biombo
     Um o outro ilumina
     Branco no branco

     Matsuo Bashô


Sendo a sombra da sombra duma alvura
mais branca que a brancura, dia-a-dia,
cujo branco no branco é sombra pura
que depura o sentido que irradia;
sendo o branco no branco o sol a pino,
solstício de verão, paleta viva,
beleza que o sol transforma em hino,
um hino que a luz converte em vida;
sendo a sombra da sombra como a estrela
cadente que traceja e arrefece
num rasto luminoso, a sequela
da rútila visão quando perece,
sobre a sombra da sombra, eis a penumbra
cujo branco no branco me deslumbra.

Domingos da Mota

[inédito]

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