15.7.16

A sombra

Quando a noite, a sono solto,
acaba num pesadelo
estremunhado, um soco
reflectido no espelho
e o espelho deflecte
a imagem, cruamente,
e provoca ricochete
sobre a máscara pendente;
quando as rugas avassalam
e redesenham o rosto
com arabescos que abalam
as curvaturas do corpo:
mesmo olhada de viés,
eis a sombra do que vês.

Domingos da Mota

[revisto]

2 comentários:

  1. São tempos de sombra, estes.

    Boa noite, Domingos.

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    1. Diria antes, de negrume.

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