16.7.16

Como um fósforo

Vai de mal a pior este começo:
traçado o azimute, nesse rumo,
não quero estar na pele, pagar o preço
do frio que virá depois do fumo,
pois se fogo sem fumo não existe,
tanto fogo-de-vista, mesmo preso,
faísca como um fósforo que insiste
até que chega o dia em que, surpreso,
se descobre tão-só como um punhado
de cinzas a um canto da lareira:
há começos assim; outros, assado,
e muitos quando atiçam a fogueira
nem cuidam de saber o santo-e-senha
para ter no inverno alguma lenha.

Domingos da Mota

[inédito]

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