3.7.16

Sinais

Com o rastilho na boca
deita achas de azedume
na fogueira que provoca
e ateia com o gume
da soberba cuja faca
afia sempre que amola,
planta o medo de estaca,
ameaça, agride, esfola.

E o bode expiatório
dobra o pescoço e a cerviz
e aceita o purgatório,
a penitência e diz
ser à conta dos pecados
que um dia cometeu,
sem lembrar os paus-mandados
que prometeram o céu?

Com o rastilho pegado,
levado pela arrogância,
isto vai ser o diabo
para suster a ganância.
Mas pior que a mesquinhez
é ver aí como a história
concebe e choca outra vez
os sinais de má memória.

Domingos da Mota

[inédito]

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