25.8.16

Natureza morta

Este país de fumos e brasidos
que lavram noite e dia pelos montes
e deixam para trás, mortos, perdidos
os gados e os pastos e as fontes,
mal o verão começa a afoguear,
este país de enganos e de enredos
que abundam e alastram sem parar,
numa teia rendosa de segredos,
este país assim que mal respira,
os pulmões imolados numa pira
que não poupa nem vidas nem haveres,
é um país de festas e de febres,
de muitos caçadores, de poucas lebres,
e ao sabor do vento, basta veres.

Domingos da Mota

[inédito]

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