8.8.16

O urogalo

     (variações sobre um poema de Ruy Belo)


Nunca ouvi cantar o urogalo.
Mas se ouvisse, gravaria
o canto, e arriscaria fotografar
o halo, se o visse por acaso
ou desencanto. Não sendo
caçador, não mataria a ave exótica
da melancolia, se a pudesse 
escutar, cheio de espanto.

Livre, solitário, o canto triste
que se espalha nos ares, se
não é do cuco nem da poupa,
quando chega a primavera, nem
dum galo arrebatado ou maluco,
é dum pássaro que põe o bico
em riste e que entoa
o seu canto sobre a terra.

Domingos da Mota

[inédito]

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