9.9.16

Soneto da indiferença

Não sei como dizê-lo, mas se vejo
naquela indiferença um não sei quê
que desvela um sintoma de desejo,
pois afogueia o rosto sempre que
persiste de viés quando desvia
num súbito relance o seu olhar
que mesmo sem dar conta, denuncia
o quanto gostaria de se dar,
de se abrir, envolver, se vejo isto
e mantenho a reserva, o segredo,
não vá um simples gesto, a que resisto,
ser logo distorcido e haver um dedo
duro que dissemine aos quatro ventos
presunções, devaneios, andamentos

Domingos da Mota

[inédito]

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