18.10.16

E que nem uma sílaba

Que fazer do poema que não tem
as palavras exactas, ideais
para ouvir o silêncio, e vê-lo bem
levantado no meio das vogais?
Um poema sem préstimo, inútil,
a sentir o ruído à sua volta
e a dar seguimento à estranha e fútil
disputa virtual que anda à solta:
um poema perdido entre conversas,
com remoques e réplicas azedas
e outras impensáveis e perversas
maneiras de soprar as labaredas,
que seria melhor que não surdisse
e que nem uma sílaba se visse.

Domingos da Mota

[inédito]

Sem comentários:

Enviar um comentário