21.10.16

NATUREZA VIVA COM CEREJAS

Vou morder as cerejas dos teus lábios,
carnudas como o sangue das amoras,
degusto-as sumarentas, são os bagos
dos beijos que te dou, mesmo a desoras

Com a pele ofegante dos teus poros
inebrio de mosto as minhas uvas
e o fogo crescente dos dióspiros
(e as línguas maduras, de tão rubras)

e as laranjas e as nozes, todo o fruto
que eu possa colher no teu pomar,
corpo aceso do tempo que desfruto
(apesar de jamais me saciar):

e devoro por fim tua maçã,
meu amor, minha estrela da manhã

Domingos da Mota

Bolsa de Valores e Outros Poemas, Temas Originais, Coimbra, 2010

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