1.10.16

Olho por olho?

Pode por dentro do olho
do polícia haver outro olho
que não seja o olho lícito
mas que seja um olho lírico?
Pode por dentro do olho
do juiz haver outro olho
que não seja fleumático
mas transgressor e lunático?
Pode um velho burocrata
metido num formulário
ter um olho abstracto
absorto e visionário?
E o olho do poeta
que muitos dizem ser lírico
descentrado e surreal
pode ser hiper-real?

Domingos da Mota

[inédito]

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