1.11.16

O sobrolho

Quando olho para ti, 
e tu olhas para aquele
que vagamente sorri,

se me sentisse na pele
dessoutro que nunca vi
antes da tua atenção

ser presa por quem de ti
quererá (ou talvez não),
mais que a troca de olhares,

uma troca de favores
e quefazeres invulgares,
sem cuidar dos dissabores,

quando olho para ti
e pelo canto do olho
observo o teu olhar,

vejo o muito que perdi.
Quanto a franzir o sobrolho,
fá-lo-ei noutro lugar.

Domingos da Mota

[inédito]

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