3.11.16

Quando a bunda

     Esferas harmoniosas sobre o caos.

       Carlos Drummond de Andrade


Quando a bunda bamboleia,
balanceia devagar,
uma doce melopeia,
como canto de sereia,
não pára de estimular;

e sendo a bunda abundante
em requebros e meneios,
redonda e palpitante,
excitada e provocante
com os seus saracoteios,

uma bunda que desbunda
e rebola de prazer,
sabidamente rotunda,
numa cadência jucunda,
essa bunda a bem dizer

alardeia como um espelho
onde podes ver o mundo
a girar, mesmo que velho,
numa avenida ou num quelho,
visivelmente rotundo.

Domingos da Mota

[inédito]

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