9.11.16

Transtorno delirante

Agora que o transtorno delirante
ameaça o presente e o futuro,
sendo o peso pesado do instante,
no prato da balança, um sinal duro,
mais denso que o ósmio e o irídio,
quando cisma e pondera percorrer
o percurso fatal do suicídio,
sem que ninguém suspeite ou possa ter
qualquer interferência no seu acto
de pura lucidez ou de loucura,
que transforme em concreto o abstracto
duma ideia maligna, turva, escura,
que dizer ou fazer, fazer de facto
que ouse demover o que se augura?

Domingos da Mota

[inédito]

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