28.12.16

A hora

Há-de chegar a hora: como, quando,
aguardada, brutal, de supetão?
Ou dolorosamente prolongando
a vida sem sentido e sem razão
por mais uns dias, vegetal ou quase,
na expectativa de que algo surja,
medicamento ou não, olhando a fase
em que o tempo acelera e garatuja
a hora exacta, mesmo sem ponteiros,
do fim do prazo, não havendo nada
que possa suspender os derradeiros
momentos duma vida que se apaga,
mal atravessa a porta desse cais
de embarque, para sempre e nunca mais?

Domingos da Mota

[inédito]

Sem comentários:

Enviar um comentário