10.6.17

Sobras incompletas

    São as alavancas do inconsciente
     que empurram a máquina de fazer versos.

     José Manuel Simões


Muitos anos, quanta vida
projectada, mãos à obra,
quanto sonho se desdobra
numa rima, numa trova,

quanta noite mal dormida;
e que grito se levanta
e que brado, quanta voz,
quantos braços, quantos nós,

quanta dentada feroz,
quanta corda na garganta:
e depois da obra feita

de sobras incompletas,
quem a lê, quem a rejeita,
neste país de poetas?

Domingos da Mota

(publicado na Revista Triplov)

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