12/12/2017

A melga

Quem a vir ali pousada,
sem sibilar, sobre o vidro
da velha porta empenada,
a melga que mal diviso,
poderá interrogar-se
por que razão o insecto
não volteia nem se mexe
nem esvoaça para o tecto
nem amotina o zunido
num voo a pique, estridente,
nem exacerba o ouvido
nem azucrina?
Entrementes,
não estará a melga morta,
colada ao vidro da porta?

Domingos da Mota

[inédito]

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