06/02/2018

Soneto da rouquidão

Não decanto o amor, mas se o cantasse,
seria rouco o hino que me pedes,
por muito cristalino que o tentasse,
tendo em conta as palavras que não medes
nesse mar de soluços cujo pranto
verte lágrimas tais de crocodilo,
que mesmo que sofresses de quebranto,
duvidaria do porquê daquilo
que te aflige e aperreia e mói,
se me pedes um canto afinado
e a garganta magoada dói
de tanta rouquidão, olhando o estado
em que andamos os dois, assim sem mais
ninguém com paciência para os ais.

Domingos da Mota

Eufeme magazine de poesia n.º 5 Outubro/Dezembro 2017

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