o Sr. S. é um sátrapa -
um mandarim feroz,
facundo, impositivo.
Cheio de mandamentos
quadrados e de
discursos cúbicos,
o Sr. S. agita imperativos
categóricos. Com o dedo
espetado, o Sr. S. ameaça.
De nariz apodíctico,
o Sr. S. fareja.
O Sr. S. é um crânio.
Um rato (fugaz)
de biblioteca:
Esgravata. Pesquisa.
Computa. Sopesa
números e adjectivos.
E traça percentagens.
E mói a paciência.
E dói-lhe o fígado.
E tem más digestões.
O Sr. S. é um mocho
com penas de pavão.
O Sr. S. é um aranhão
com patas de tarântula.
O Sr. S. é um verme.
O Sr. S. é um vírus.
O Sr. S. infecta.
O Sr. S. infesta.
E replica-se.
Alta figura
de estilo, capataz
dos capatazes,
o Sr. S. é o ponto final,
parágrafo.
© Domingos da Mota
in revista DI VERSOS - Poesia e Tradução: N.º 15 - Junho de 2009, Edições Sempre-em-Pé
in 'Tempestade seca e outros poemas', Edição de Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, Agosto de 2025
Caro Domingos,
ResponderEliminarMuito bom!
Abraço fraterno,
Adriano Nunes
Caro Adriano Nunes,
ResponderEliminarObrigado pela visita.
Este poema já tem uns anos, mas o sr. S. replica-se como os vírus, tem cada vez mais filhotes, daí a publicação do poema no blogue.
Boa tarde amigo,
ResponderEliminarHá alguns escritos que se perpetuam no tempo e se mantém muito atualizados.
Um abraço
Sim, a graça inteligente. Grato, Domingos da Mota.
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