Sem apelo
no vórtice do
dia no
abandono do chão na
lâmina da
luz feroz
fora da vida
desfaz-se agora
a minha doída
desavinda companheira
Ferreira Gullar
Obra Poética, Quasi Edições, Outubro 2003
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4.12.16
10.9.14
OFF PRICE
Que a sorte me livre do mercado
e que me deixe
continuar fazendo (sem o saber)
fora de esquema
meu poema
inesperado
e que eu possa
cada vez mais desaprender
de pensar o pensado
e assim poder
reinventar o certo pelo errado
Ferreira Gullar
Em alguma parte alguma, Ulisseia, Edição Babel, Lisboa, Outubro de 2010
e que me deixe
continuar fazendo (sem o saber)
fora de esquema
meu poema
inesperado
e que eu possa
cada vez mais desaprender
de pensar o pensado
e assim poder
reinventar o certo pelo errado
Ferreira Gullar
Em alguma parte alguma, Ulisseia, Edição Babel, Lisboa, Outubro de 2010
21.2.13
DENTRO
"O um é um e não dois"
Parménides, de Platão
estamos dentro de um dentro
que não tem fora
e não tem fora porque
o dentro é tudo o que há
e por ser tudo
é o todo:
tem tudo dentro de si
até mesmo o fora se,
por hipótese,
se admitisse existir
Ferreira Gullar
Em alguma parte alguma, Edição Babel, Lisboa, 2010
Parménides, de Platão
estamos dentro de um dentro
que não tem fora
e não tem fora porque
o dentro é tudo o que há
e por ser tudo
é o todo:
tem tudo dentro de si
até mesmo o fora se,
por hipótese,
se admitisse existir
Ferreira Gullar
Em alguma parte alguma, Edição Babel, Lisboa, 2010
5.11.11
INSETO
Um inseto é mais complexo que um poema
Não tem autor
Move-o uma obscura energia
Um inseto é mais complexo que uma hidrelétrica
Também mais complexo
que uma hidrelétrica
é um poema
(menos complexo que um inseto)
e pode às vezes
(o poema)
com sua energia
iluminar a avenida
ou quem sabe
uma vida
Ferreira Gullar
Em alguma parte alguma, Edição Babel, Lisboa, Outubro de 2010
Não tem autor
Move-o uma obscura energia
Um inseto é mais complexo que uma hidrelétrica
Também mais complexo
que uma hidrelétrica
é um poema
(menos complexo que um inseto)
e pode às vezes
(o poema)
com sua energia
iluminar a avenida
ou quem sabe
uma vida
Ferreira Gullar
Em alguma parte alguma, Edição Babel, Lisboa, Outubro de 2010
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