há palavras da mesma sorte do osso, néons brancos
ressonantes,
inócuos fragmentos d'orvalho, cães-guia do medo
abocanhando de a a z, o brilho rendoso do silêncio:
anjo baraço contagem deus epitáfio foice gárgula
hospício intervalo jusante lâmina morte nome óbolo
patíbulo querosene ruína salmo talhão uivo vazio
xisto zumbido_____________________________
Luís Filipe Pereira
elogio da espera [61+ 43 poemas], Poética Grupo Editorial, Lisboa, julho de 2022
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24.8.22
8.2.17
No lugar da pouca farinha
1.
É a mesma navalha.
Aquela que levanta no mar exterminado
Uma ilha
E risca no centro da mão a métrica derrotada
De uma colmeia.
E não é o mel que exulta nas linhas inúteis
Dos dedos:
É o brilho náufrago
Das migalhas do estio
Que nelas coagula
A gotas de sombra mais insubmissa.
Luís Filipe Pereira
No lugar da pouca farinha, edição Temas Originais, Lda., Coimbra, 2016
É a mesma navalha.
Aquela que levanta no mar exterminado
Uma ilha
E risca no centro da mão a métrica derrotada
De uma colmeia.
E não é o mel que exulta nas linhas inúteis
Dos dedos:
É o brilho náufrago
Das migalhas do estio
Que nelas coagula
A gotas de sombra mais insubmissa.
Luís Filipe Pereira
No lugar da pouca farinha, edição Temas Originais, Lda., Coimbra, 2016
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