08/02/2017

No lugar da pouca farinha

1.

É a mesma navalha.

Aquela que levanta no mar exterminado
Uma ilha
E risca no centro da mão a métrica derrotada
De uma colmeia.

E não é o mel que exulta nas linhas inúteis
Dos dedos:

É o brilho náufrago
Das migalhas do estio
Que nelas coagula
A gotas de sombra mais insubmissa.

Luís Filipe Pereira 

No lugar da pouca farinha, edição Temas Originais, Lda., Coimbra, 2016

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