Mostrar mensagens com a etiqueta Arvind Krishna Mehrotra. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Arvind Krishna Mehrotra. Mostrar todas as mensagens

5.11.20

CAÇA ÀS BRUXAS

Blusa de decote grande, saia
azul comprida, sandálias pretas,
anda por aqui perto, voando
de ramo para ramo com
asas incansáveis, reservando
bilhetes de comboio, assinando
um contrato, pagando contas.
Melhor deixar poemas inacabados,
interrompidos a meio, num país
onde uma mulher pode ser morta
porque um boato assim o quis.


*

WITCH HUNT


In slutty, long blue
skirt, black floaters, she's
somewhere around, flitting
from branch to branch on
quicksilver wings, booking
rail tickets, signing a lease,
paying bills. Best to leave
poems unfinished, aborted
midway, in a country
where a woman can be killed
because a rumour willed it.


Arvind Krishna Mehrotra

ASSINATURA DE  ZAYN-UL-DIN, Tradução de Francisco José Craveiro de Carvalho, Edição Busílis, setembro de 2020

17.5.17

Má para a poesia

A meia idade é terrível para a poesia,
Sobretudo para um surrealista.
Perder a vista é perder palavras.

Que correu mal? Não sabe.
A luz matinal ainda cai nas folhas.
A pessoa que ele era morreu há anos.

Agora, sentado numa poltrona,
Fixa os olhos na parede branca em frente,
Protegendo-os da luminosidade.


*


Bad for verse


Middle age is bad for verse,
Specially for a surrealist.
A loss of vision is a loss of words.

What went wrong? He doesn't know.
The morning light still falls on leaves.
The man he was died years ago.

Now, sitting in an easy-chair,
He stares at the blank wall in front,
Shading the eyes to cut the glare.

Arvind Krishna Mehrotra

antes de o tigre se abrigar, tradução de Francisco José Craveiro de Carvalho, edições Sérgio Ninguém (Eufeme), 2017