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8.10.26

NEDA/TEERÃO

ruas, sem poesia
onde correm novo lamentos
mulheres e homens, em agitação desorientada

clamam e acusam a ofensa imensa

no extremo da multidão já se movem os cabelos delas
pouco cobertos
expostos sob as sedas mais coloridas que deslizam
lentas
cabeças perfeitas, dispostas ao antigo sacrifício

instantes:
a mancha vermelha da morte
impressa injusta presente
nas vestes contemporâneas

como vingar-te fora destas páginas?


Junho de 2009


Dália Dias

NÍVEIS DE CINZA, De Facto Editores, Santo Tirso, novembro 2025

22.12.11

VEDORES

Sente:

como se a sombra fosse o próprio espaço
ou os musgos não quisessem dizer nada

Prepara um salto
sem gravidade
leve
desmedido para poderes fingir que nem quiseste

Abandona toda a confiança
no limite da luz
como se não houvesse mais que músculos e
intensidades

Fixa os sulcos sem tempo,
uma outra vida
na água que as pedras sempre ocultam!

Janeiro 2008

Dália Dias

MAIS A NORTE / PRUMOS, Edição Fava, Dezembro, 2011