Um documento vivo
a mesa
Pulsando
inextricável
pelos nós da madeira
Árvores vivas
antes
Agora só fronteira
do pão
e da palavra:
Ana Luísa Amaral
E TODAVIA, Assírio & Alvim, Abril de 2015
Mostrar mensagens com a etiqueta Ana Luísa Amaral. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ana Luísa Amaral. Mostrar todas as mensagens
5.4.23
6.8.22
ELECTRICIDADE
Mal fechada a torneira
e no silêncio
o ruído invasor: uma gota
pequena, regular
Como um prego mental
dilacerando: agudo o som
da água. Em tortura a memória,
o espaçamento de aguardar
outra gota
outro chicote azul
na tempestade
e no silêncio
o ruído invasor: uma gota
pequena, regular
Como um prego mental
dilacerando: agudo o som
da água. Em tortura a memória,
o espaçamento de aguardar
outra gota
outro chicote azul
na tempestade
Ana Luísa Amaral
E TODAVIA, Assírio & Alvim, Abril de 2015
E TODAVIA, Assírio & Alvim, Abril de 2015
28.1.13
CANETA DE SUA MÃO
(Para a Celina)
Seguro esta caneta, escrevendo
por varanda de hospital. É bonita,
a caneta, eu é que tenho estado
um pouco mal. Derramei-me por
sangue e tinta preta, reeencontrei
o sol, as borboletas roçaram-me
o seu pólen de veneno, salvou-me
um balão de horas e formol.
Suspenso, o mal que tive foi um mal
civil, não foi um mal de Império,
felizmente. É bonita a caneta
com que escrevo daqui, desta varanda
de hospital. E não é feia a minha
mão. E é pequena. E sente.
Ana Luísa Amaral
Entre dois rios e outras noites, Campo das Letras - Editores, S. A., Porto, Novembro de 2007
Seguro esta caneta, escrevendo
por varanda de hospital. É bonita,
a caneta, eu é que tenho estado
um pouco mal. Derramei-me por
sangue e tinta preta, reeencontrei
o sol, as borboletas roçaram-me
o seu pólen de veneno, salvou-me
um balão de horas e formol.
Suspenso, o mal que tive foi um mal
civil, não foi um mal de Império,
felizmente. É bonita a caneta
com que escrevo daqui, desta varanda
de hospital. E não é feia a minha
mão. E é pequena. E sente.
Ana Luísa Amaral
Entre dois rios e outras noites, Campo das Letras - Editores, S. A., Porto, Novembro de 2007
20.5.12
FALA DE CAMÕES MAIS UMA VEZ
Neste leito te tive
e me tiveste,
uma noite de verão
em que cantavam
os pássaros, a água,
as coisas todas,
mesmo que não houvera
disto nada
e tudo isto fosse só
de dentro
Mas pouco importa isso,
minha amada,
se o pensamento
engenha o que se passa
Neste leito te tive
e desejara
que essa noite de verão
aqui voltasse,
ou que nada de tanto
acontecera
Que os pássaros, a água,
as coisas todas
tivessem sido isso
igual a isto:
água real,
pássaros de verdade,
e nunca tu aqui,
nem eu,
um dia
Ana Luísa Amaral
A Génese do Amor, Campo das Letras - Editores, S.A., Porto, Abril de 2005
e me tiveste,
uma noite de verão
em que cantavam
os pássaros, a água,
as coisas todas,
mesmo que não houvera
disto nada
e tudo isto fosse só
de dentro
Mas pouco importa isso,
minha amada,
se o pensamento
engenha o que se passa
Neste leito te tive
e desejara
que essa noite de verão
aqui voltasse,
ou que nada de tanto
acontecera
Que os pássaros, a água,
as coisas todas
tivessem sido isso
igual a isto:
água real,
pássaros de verdade,
e nunca tu aqui,
nem eu,
um dia
Ana Luísa Amaral
A Génese do Amor, Campo das Letras - Editores, S.A., Porto, Abril de 2005
Subscrever:
Mensagens (Atom)