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23.10.24

Antonio Cicero (1945-2024)



VALEU


Vida, valeu.
Não te repetirei jamais.



Antonio Cicero





Guardar a Cidade e os Livros Porventura, Coleção Plural, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, S. A., Lisboa, dezembro de 2020

20.8.17

HISTÓRIA

A  história, que vem a ser?
mera lembrança esgarçada
algo entre ser e não-ser:
noite névoa nuvem nada.
Entre as palavras que a gravam
e os desacertos dos homens
tudo o que há no mundo some:
Babilônia Tebas Acra.
Que o mais impecável verso
breve afunda feito o resto
(embora mais lentamente
que o bronze, porque mais leve)
sabe o poeta e não o ignora
ao querê-lo eterno agora.

Antonio Cicero

A Cidade e os Livros, prefácio de José Miguel Wisnik, QUASI EDIÇÕES, Fevereiro de 2006


5.6.12

MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA

Fica na Boa Viagem. Disco voador
ele não é, pois não pousou na pedra
mas se ergue sobre ela; nem alça vôo:
à orla de cidades e florestas
suspende-se no ar feito pergunta
e o que tem dentro mergulha e se banha
no mundo em volta e o mundo em volta o inunda:
é o museu fora de si, de atalaia
à curva do abismo, à altura das musas,
sobre o mar, sobre a pedra sobre o mar,
e sobre o espelho d'água em que se apura
sobre essa pedra um mar a flutuar,
um céu na terra, quase nada, um aire,
a flor de concreto do Niemeyer.

Antonio  Cicero

A Cidade e os Livros, prefácio de José Miguel Wisnik, Quasi Edições, Fevereiro de 2006