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5.4.18

Desdobrar a sombra

Desdobrar a sombra
para que da escuridão se faça ainda
o amplo passo da luz
nos nomes que há
por dentro da matéria.

Maria João Cantinho

Olga Revista de poesía galega en Madrid, n.º 4| Decembro 2017


17.1.17

Gestos

Um dia vamo-nos. Todos, 
ainda que haja variações no modo de partir,
a uns sobram-lhes asas
e outros enredam-se nas ervas daninhas
com o rosto colado ao lodo.

Aos que anseiam subir
e beijar as estrelas é conveniente
que saibam olhar o alto
sem se demorarem na idolatria.

Na montanha gelada há sempre lugar
e só o tempo aponta o caminho da neve
para alguns, não há desvios
para outros, todos os caminhos são desvios.

A única coisa que fica é o pó
uma definitiva mão
que tudo anoitece.

Maria João Cantinho

DO ÍNFIMO, Coisas de Ler Edições, Lda., Lisboa, 2016