Que a sorte me livre do mercado
e que me deixe
continuar fazendo (sem o saber)
fora de esquema
meu poema
inesperado
e que eu possa
cada vez mais desaprender
de pensar o pensado
e assim poder
reinventar o certo pelo errado
Ferreira Gullar
Em alguma parte alguma, Ulisseia, Edição Babel, Lisboa, Outubro de 2010
10.9.14
6.9.14
ROMANCE OU FALÊNCIA
Posta assim, como uma fraude à escala mundial
a falácia que se esconde nas traseiras
de um título, escrevo como uma puta,
um meteorologista político
que antecipa qualquer vento que sopre
a ouvidos inocentes
as verdades mais inconvenientes
O meu trabalho
é descobrir o nome mais bonito
que se pode dar ao vandalismo,
convencer toda a gente,
como quem esconde um derradeiro eclipse
de que escolher o romance
não é caminhar para a falência
Luís Pedroso
ROMANCE OU FALÊNCIA, Edições Artefacto, Lisboa, Julho de 2014
a falácia que se esconde nas traseiras
de um título, escrevo como uma puta,
um meteorologista político
que antecipa qualquer vento que sopre
a ouvidos inocentes
as verdades mais inconvenientes
O meu trabalho
é descobrir o nome mais bonito
que se pode dar ao vandalismo,
convencer toda a gente,
como quem esconde um derradeiro eclipse
de que escolher o romance
não é caminhar para a falência
Luís Pedroso
ROMANCE OU FALÊNCIA, Edições Artefacto, Lisboa, Julho de 2014
3.9.14
tantos seres(tantos demónios e deuses
tantos seres(tantos demónios e deuses
cada qual mais ganancioso do que todos)é um homem
(tão facilmente um em outro se esconde;
e não pode o homem,sendo todo,fugir a nenhum)
tão vasto tumulto é o mais simples desejo:
tão impiedoso massacre a esperança
mais inocente(tão profunda é a mente da carne
e tão desperto o que o acordar chama dormir)
assim nunca está o mais sozinho homem só
(o seu mais breve respirar vive o ano de algum planeta,
a sua mais longa vida é a pulsação de algum sol;
a sua menor imobilidade percorre a mais jovem estrela)
--como pode um louco que a si próprio se chama «Eu» supor
que entende um não numerável quem?
E. E. Cummings
livrodepoemas, tradução, introdução e notas de Cecília Rego Pinheiro, Assírio & Alvim, Lisboa, Junho de 1999
cada qual mais ganancioso do que todos)é um homem
(tão facilmente um em outro se esconde;
e não pode o homem,sendo todo,fugir a nenhum)
tão vasto tumulto é o mais simples desejo:
tão impiedoso massacre a esperança
mais inocente(tão profunda é a mente da carne
e tão desperto o que o acordar chama dormir)
assim nunca está o mais sozinho homem só
(o seu mais breve respirar vive o ano de algum planeta,
a sua mais longa vida é a pulsação de algum sol;
a sua menor imobilidade percorre a mais jovem estrela)
--como pode um louco que a si próprio se chama «Eu» supor
que entende um não numerável quem?
E. E. Cummings
livrodepoemas, tradução, introdução e notas de Cecília Rego Pinheiro, Assírio & Alvim, Lisboa, Junho de 1999
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