25.4.26

ELEGIA

    um rio precisa de muito fio de água
     para refazer o fio antigo que o fez.

     João Cabral de Melo Neto


Falo de Abril,
da torrente breve: do rio
grande, quase nu: revolto
galgou as margens, inundou.

(Rebelde resiste ainda
num riacho rouco).

Falo de Abril, de Maio,
do verão, do verão
cheio, sublevado,
vivo nas fontes sequiosas

deste chão: deste chão
de pé: jamais cativo.

Domingos da Mota

Bolsa de Valores e Outros Poemas, Temas Originais, Lda., Coimbra, 2010

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