Minhas duas irmãs éramos três,
minha mãe e meu pai éramos cinco.
Armando Pinheiro
Os meus catorze irmãos éramos quinze,
dezassete juntando a mãe e o pai.
Haverá quem aprove e quem ranzinze
e torça o nariz e até vaie
e vitupere a prole numerosa,
e à medida que o tempo vai passando,
se esqueça da farinha amargosa
que o diabo amassou, de quando em quando.
Meu pai e minha mãe já nos deixaram;
dos irmãos que me restam, conto cinco
e todos, a seu modo, porfiaram
e persistem ligados pelo vínculo
que alarga ou aperta - ajusta os laços
consoante a premência dos seus passos.
© Domingos da Mota
Não sei porque lhe achei ecos bocageanos, e se não gosta: desculpe-me!
ResponderEliminarMas gostei muito deste seu soneto em forma inglesa.
Uma boa semana, cordialmente,
Um bom leitor encontrará ecos da sua vasta cultura; e num poema, como melhor que eu sabe, há sempre algumas reverberações, mesmo que subliminares, de outros poemas e poetas. Neste poema, a haver ecos, ou até mais do que ecos, confesso, é do excelente soneto, Aritmética emotiva, de Armando Pinheiro, aliás publicado neste blogue.
EliminarBocage, a haver ecos, também seria muito bem-vindo.
Agradeço e retribuo os votos de uma boa semana.